O Vazio Existencial: Por que Ele Aparece e o Que Ele Tenta Nos Contar Sobre Nós Mesmos
- moniquepsi Telis
- 27 de nov de 2025
- 3 min de leitura
Quando o vazio chega antes das palavras
O vazio existencial é um dos sentimentos mais difíceis de explicar. É como caminhar por uma mata fechada onde a trilha some e reaparece sem aviso. Em certos momentos da vida, somos empurrados a olhar para esse espaço e quando finalmente olhamos, dói.
Dói fundo.Dói sem nome.
É uma dor que parece falar uma língua da alma, não da razão.
E foi durante uma dessas travessias internas que percebi algo importante: o inconsciente fala conosco o tempo todo principalmente através dos símbolos que criamos sem perceber.
Em um dos meus momentos de pausa, voltei a desenhar. E, olhando agora com mais atenção, notei um padrão: eu sempre desenho guerreiros.
Guerreiros com armadura.
Guerreiros indígenas.
Figuras antigas.
Figuras que atravessam mundos.
Essas imagens não surgem por acaso. Na psicologia junguiana, símbolos desse tipo costumam revelar como enfrentamos a vida, como lidamos com a dor e como buscamos sentido.
O guerreiro é o arquétipo que guarda:
força,
direção,
enfrentamento,
e a busca pelo propósito.
Algo dentro de mim desse “eu profundo” que todas nós temos tenta me contar uma história através desses desenhos.
O mapa da minha jornada emocional
Em um desses desenhos surgiu uma árvore cheia de ramos que se estendiam como caminhos possíveis.
Alguns ramos estavam inteiros. Outros, cortados pela espada.
E a espada, presente em quase todos os meus desenhos, trazia duas mensagens simbólicas muito claras:
Ela corta.
Ela direciona.
O que dói também aponta caminhos.O que fere, às vezes, liberta.
Esse é um dos paradoxos mais profundos da vida emocional.
Quando até o caderno revela o vazio
Ao reler meu caderno, percebi outro detalhe curioso: Eu pulo páginas inteiras. Sem motivo. Sem lógica.
E agora entendo, essas páginas em branco são o retrato exato do meu vazio interno.
São pausas involuntárias. Silêncios que eu ainda não sei preencher. Buracos na narrativa da minha vida emocional.
A vida, assim como o caderno, também tem folhas que não sabemos escrever.
E tudo bem.
Atravessar esse vazio é como caminhar por florestas internas onde perdemos o início, o meio e o fim.É mergulhar em cachoeiras de mágoas antigas uma espécie de ritual silencioso que limpa aquilo que não sabemos nomear.
E, entre uma árvore e outra, sempre surge:
um portal,
um fruto,
um galho chamado “caos”.
Eu já me perdi nesse galho várias vezes. Ele assusta, mas chama.
É estranho e familiar ao mesmo tempo.
Porque o caos também é parte do caminho.
O encontro com o espelho: a coragem de tirar a armadura
Caminhando mais um pouco, encontro o espelho um dos símbolos mais importantes da jornada do guerreiro interior.
Mas quando me olho, não me vejo.
A armadura que desenho tantas vezes…também está em mim.
É a armadura construída:
pelas dores,
pelas expectativas,
pelos medos,
pelas defesas que criamos para sobreviver.
Tirar essa armadura exige coragem. Exige verdade. Exige presença.
E ainda assim… é o único caminho possível para encontrar quem realmente somos.
O vazio existencial não é o inimigo é o mensageiro
Com o tempo, percebi que a vida é um percurso solitário não porque estamos sós, mas porque certa parte da jornada da alma só pode ser feita por dentro.
E o vazio?
Talvez ele não exista para ser vencido.Talvez ele exista para ser ouvido.
Talvez o vazio seja:
o espaço entre um desenho e outro,
entre uma página preenchida e uma em branco,
entre uma versão sua e a próxima que está nascendo.
Talvez ele seja um mestre silencioso perguntando:
Por que você luta?
Quem é o guerreiro dentro de você?
O que sua alma tenta dizer nos símbolos que você cria?
Ser guerreira, de verdade, não é resistir ao vazio.É aprender a caminhar com ele ao lado.
E, nesse caminhar, talvez nasça finalmente o sentido, o propósito, e o reencontro consigo mesma.
Se você sente que está enfrentando esse vazio sozinho, ou que esse sentimento tem se tornado difícil de carregar, a psicoterapia pode ser um espaço seguro para compreender sua história emocional.
Eu atendo online e ajudo a compreenderem seus ciclos, suas dores e seus símbolos internos com acolhimento, profundidade e respeito ao seu tempo.
Você pode agendar uma primeira conversa pelo WhatsApp e entender se esse caminho faz sentido para você.
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